Na última consulta de oftalmologia efectuada ao Gonçalo, foi-lhe diagnosticado um estrabismo convergente. Nada que nos tivesse surpreendido, até porque já o tinhamos constatado.
No entanto, e no intuito de procedermos a uma correcção, o Professor Doutor A.considerou que seria essencial a aplicação de pensos oclusivos durante o dia por um periodo de 6 meses e só depois avaliaríamos a necessidade de continuar, ou não, o tratamento. Já que (e esta sim foi a novidade) numa situação de estrabismo, o cérebro recebe uma imagem dupla (sobreposta) e como essa informação é desagradável, o cérebro em forma de rejeição vai retirando a visão ao olho afectado, caso não se proceda à sua correcção. Ou seja, para que o Gonçalo não começasse a ter perda de visão no olho afectado, tivémos que intervir imediatamente.
No entanto, as coisas não correram bem, e o Gonçalo não reagiu bem à aplicação dos pensos. Mostrou-se sempre muito alterado, irritado e só acalmava quando os pensos eram retirados. Foram poucos os dias em que conseguimos manter o penso por uma manhã. Nunca conseguimos manter o penso por um dia inteiro.
Sendo assim, decidimos pedir uma segunda opinião, e fomos hoje ao Centro Cirúrgico, a Coimbra, para uma consulta com o Professor Doutor E.S.
Desta vez, as coisas foram bem mais animadoras. O Professor E.S. considerou que os pensos não eram, de facto, a melhor alternativa e decidiu proceder à correcção do estrabismo através de fármacos. Sendo assim, receitou uma só gota de Atropocil (colírio) no olho "bom" uma vez por semana, com o ojectivo de proceder à sua dilatação e desta forma obrigar o olho afectado a um esforço maior durante esse período. Ou seja, assim conseguiremos que o cérebro continue a "considerar" que ambos os olhos são essenciais!! E a não "menosprezar o papel" do olho esquerdo.
Para além disso o Professor E.S. afirmou que a visão do Gonçalo está fantástica e que não tem nenhuma dificuldade visual. O que é de louvar, dadas as lesões cerebrais que apresenta!
Considerou também que é normal isto acontecer nas distonias e que, na sua maioria, todas as crianças conseguem fazer a correcção sem entraves!
Uffa!! Menos um pedregulho nas costas!! ;)